Arquivo mensal: Fevereiro 2016

APEFA alerta Deputados e desafia-os a acabarem com o analfabetismo no País

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Deputados da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República desafiados pelo Presidente da Associação portuguesa de Educação e Formação de Adultos, Armando Loureiro, a acabarem com o flagelo do Analfabetismo, garantindo às pessoas a dignidade e cidadania que até hoje lhes fora negada.

“Senhoras e senhores Deputados, desafio a esta comissão e todas as Deputadas e Deputados da Nação a assumirem o Combate do analfabetismo como desígnio nacional, pois, como já foi demonstrado, não se trata de uma questão financeira mas da assunção de convicções e princípios legislativos. Os territórios e a diversidade de atores, sociais , religiosos e políticos, cumprirão a sua missão. Cabe, agora, aos decisores, conforme sustenta o Papa Francisco, na Encíclica, Laudato Si, adotar políticas que “encontre espaço [e ] preocupação [para] (…) integrar os mais frágeis, (…) [para que eles] possam também singrar na vida »”, afirmou o Presidente da Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos”.

O Presidente APEFA, Armando Loureiro informou ontem, durante a audição concedida pela Comissão de Educação e Ciência. na Assembleia da República os Deputados que “a Educação e Formação de Adultos, mercê de acentuada marginalização de que foi acossada e vítima nos últimos anos, por extrema contaminação ideológica e desinvestimento inusitados, vive momentos de tremenda angústia e apresenta um estado de quase paralesia geral, no país, que importa, urgentemente, inverter, mas não ignorando o contexto restritivo de ajustamento a que o país se encontra vinculado.

Estamos conscientes da relevância da Educação e Formação de Adultos como uma das áreas prioritárias, absolutamente determinantes num contexto de desenvolvimento estratégico e integrado dos territórios, concorrente para a igualdade de oportunidades e de coesão social, e, por isso, apresentamos como fundamental desafio, e de imediato, o combate ao terrível flagelo do analfabetismo que em algumas regiões do nosso país atingem valores percentuais inconcebíveis, próximo de dois dígitos, e para o qual, o país não tem sabido solucionar, acrescentou o Presidente da APEFA. Ora, hoje, Portugal tem mais de meio milhão de cidadãos sem qualquer nível de escolaridade, sendo considerável a percentagem destes adultos se encontram em idade ativa.

E interrogou: E o que fazemos? E que respostas apresentamos? Qual a estratégia integrada de formação-educação-emprego aplicada a estes milhares de cidadãos, portugueses como nós, mas analfabetos, que não sabem ler nem escrever, e que tiveram de encontrar mecanismos para ludibriar o desconhecimento da leitura e da escrita?

A APEFA identifica quatro palavras-chave que correspondem a outros tantos níveis de intervenção urgente: Sistema; Oferta, Recursos Humanos, e Acompanhamento e monitorização.

Para a APEFA ” é urgente:

  • suprir a carência formativa, repor as modalidades de Educação informal e não-formal, de educação base, de aperfeiçoamento, de atualização cultural e científica, essenciais ao bem-estar e ao aumento da autoestima, à ocupação criativa e qualitativa dos tempos livres.
  • uma oferta atenta à especificidade dos contextos e geografias, flexível e discriminação positiva dos territórios vulneráveis.
  • uma política públicas de Educação e Formação de Adultos descomprometida com a prioridade fugaz do momento e de agendas e melhor conveniência de um qualquer Governo que erradique o caráter intermitente e sinuoso, de desinvestimento e esvaziamento , assumindo a EFA como uma dimensão integrante do sistema educativo.
  • uma EFA como um direito de todos e ao longo da Vida, para todos, de todas as idades e de todas as geografias, num modelo combinado de processos formais, não formais ou informais, agregador de vontades.

Quanta indústria criativa, agora tão em voga, mais não é do que a recriação das artes tradicionais e não é mais do que aquilo que milhares de portuguesas e portugueses faziam nos cursos extra-escolares que transmitiam artes tradicionais, dando-lhes inovação e mais valia para o mercado, acrescentando-lhes valor, interrogou o Presidente da APEFA?

Os censos 2011 (de lá para cá, não surtiram grandes alterações) Portugal, apresenta uma taxa de analfabetismo de 5.2 %. Uma outra que reclama a devida atenção: “62% da população portuguesa, entre os 25 e os 64 anos, não concluiu o ensino secundário” conforme a OCDE identifica, no âmbito de uma estratégia de competências para Portugal.

O Conselho Nacional de Educação, no seu relatório “Estado da Educação 2013, é perentório ao classificar o analfabetismo e as baixas qualificações como “muito preocupantes, não só porque abrangem grupos etários relativamente jovens(…)mas pelo impacto que o nível de escolarização dos pais tem na valorização do conhecimento e no sucesso das gerações mais novas“.

Para Armando Loureiro, Presidente da APEFA, o analfabetismo é castrador de iniciativas e de vidas. Não saber ler nem escrever, coarta a liberdade e deixa as pessoas reféns de vontades e de interpretações de terceiros, tornando-as dependentes e frágeis, pois conforme atenta Paulo Freire, “A alfabetização é mais, muito mais, que ler e escrever. É a habilidade de ler o mundo, é a habilidade de continuar aprendendo e é a chave da porta do conhecimento”.

APEFA, 11 de fevereiro de 2016

 

AssembleiaRepublica

Intervenção_Audição CEC_A.R_2016 APEFA

Link para a audição parlamentar

 

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